domingo, 30 de maio de 2010

O bem que vem para o pior


Por Ateus do Norte

Como anda a sua fé? Este artigo já começa com uma pergunta aparentemente simples, mas bem pertinente àqueles ditos religiosos. De início quero ressaltar um ponto importante, este texto não visa discutir a existência ou não de deus (ou qualquer outro agente divino e superior ao ser humano), mas sim avaliar a relação custo/benefício que a religião oferece a sociedade humana, admitindo-se que ela está inserida cada vez em nossas vidas.

É muito comum ver pessoas terem um amor tão grandioso pelo seu deus (seja em qual religião involuntariamente elas fazem parte), e bastante comum também essas mesmas pessoas afirmarem que só há um único deus, bondoso e o mais correto dentro todos, que por acaso é o que elas acreditam. Isso se deve a uma constante básica encontrada em todas as religiões, a fé. Como a fé não precisa de hipóteses, teorias ou mesmo pequenas evidências, se estruturando na crença pela crença, podemos encarar a fé como uma força cega, mas não menos poderosa nas cabeças dos teístas, afinal de contas para eles “a fé move montanhas”. Dessa forma, como fé por si só é relativamente cega, livre de questionamentos, de dúvidas, de objeções, e cheia de dogmas, podemos concluir que ela é absoluta, e muitas vezes colocada como verdade suprema e inquestionável. Agora é totalmente inaceitável fingir não ver que muitos dos absurdos são ocasionados por tal falta de questionamentos sobre os princípios básicos de muitas religiões. Deparamos-nos com atrocidades humanas inaceitáveis dignas das mais altas penas e, qualquer tribunal descente, males que a própria religião nos coloca de frente, como por exemplo, os inúmeros casos de pedofilia – e tentativas de omissão do assunto – envolvendo a Igreja Católica.

Seria assustador enfatizar tantas “pisadas na bola” dessas “Instituições da Fé Ltda.”, mas basta você ter uma televisão de algumas poucas polegadas, um PC conectado a uma internet de 128 Mbps, ou até mesmo aquele velho e bom rádio que seu avô escuta todos os dias às 5:30 da manhã, e você prontamente está apto a obter notícias de tantos escândalos. E quando isso tudo meche com seu bolso? Como se sentir quando certo pastor com vocações televisivas está enriquecendo graças à fé e confiança ingênua daqueles que mal tem o que comer em suas casas, mas devido a um covarde ataque psicológico (já desculpando a falta de sutileza), oferecem os seus poucos “tustões” em troca de uma suposta salvação divina, gerenciada tão somente pelo seu Pastor, que estaciona a sua Mercedes na frente da tua humilde casa para comprar o “pão dele de cada dia” do outro lado da rua, e nem ao menos lembra que você freqüenta a Igreja dele e paga sua gasolina.

Muito bem, até aqui percebemos indignações com duas referidas religiões dentre inúmeras existentes, mas não pense que o mal acaba por aí. Como não umedecer os lábios e indignar-se com os assassinatos em massa em perseguições religiosas em séculos passados. E em nosso século a história ainda não mudou, pois ataques suicidas de fanáticos religiosos ainda matam centenas de inocentes, e sendo bem presunçoso até arrisco dizer: mas em parte eles nem tem tanta culpa. Essas pessoas que atuam de forma criminosa estão convictas de que estão fazendo a coisa certa, de que a devoção ao seu deus irá lhe dar algo melhor do que a sua vida que está acabando agora, e ainda acreditam no seguinte pensamento: estou tirando a minha vida e de mais 200 pessoas, e daí, esse é meu dever pelo bem da minha religião e meu povo. Bom, posso está enganado mais isso me parece um duelo de egos infantis, como de quem diz: a minha religião é melhor do que a sua; você está errado e eu estou certo; ou até mesmo, eu gosto da cor verde e você da cor azul, mas nesse último caso não se matam uns aos outros pela discordância de idéias, mas a religião sim.

Portanto meus queridos ateus, católicos, protestantes, mulçumanos, enfim... Os posicionamentos divergentes em relação a qualquer assunto sempre vão existir, no caso aqui em relação à religião, mas o fato correto é que crê ou não em um deus não pode ofuscar instantaneamente a idéia de que existindo ou não um ser sobrenatural (isso vai da concepção de mundo de cada leitor aqui), não podemos nos dar ao luxo de negar os males que a fé cega na religião nos causa até hoje, pois ela atinge a mim, a você, e de uma maneira meramente sistemática, a Ele lá em cima.


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