domingo, 11 de março de 2012

A Era do intocável e imutável




Talvez quase todas as pessoas já tenham ouvido o dito: “o que move o mundo não são as repostas, e sim as perguntas”. No entanto, retornaremos a essa questão mais adiante.

Muitos assuntos geram controvérsias em cabeças pensantes do mundo todo, pois ninguém é igual a ninguém, e logo, ninguém pensa igual a ninguém, não importa qual tema a ser debatido. Podemos abertamente discutir assuntos sobre política, música, esporte, mesmo causando acentuadas divergências, sendo que cada um quer defender o seu ponto de vista, mostrar argumentos que prove estar certo e mostre o outro que ele está errado, popularmente falando, cada um quer vender o seu peixe. Isso causa desconforto às pessoas, mas é normal de se abordar, você vê isso na TV, nas rádios, na Internet, nas ruas, é algo tocável e mutável, conseguimos mudar a opinião – ou pelo menos dá o caminho das pedras – apesar de ser bastante penoso. Mas quando o assunto é religião, poderá ser da mesma forma?

Os Ateus dizem que sim, religião é um assunto que pode ser debatido e refutado como qualquer outro, não merece privilégio algum, nenhum limite de discussão que diga: só podemos ir até aqui! Mas infelizmente não é assim que a banda toca, pois cristãos do mundo todo se sentem altamente ofendidos ao ver pessoas que não aceitam e não compartilham a mesma crença, e ainda acreditam que, se não tem fé em minha religião é no mínimo aceito, mas não proclame e discorde dela em público. Não entendemos o porquê dessa fragilidade da fé, quando entendemos que a crítica é o fator que fortalece todas as premissas, abre as portas para a discussão que esclarecem dúvidas, estabelecem relações e pontos de vista. No entanto, já estamos cientes em perceber os cristãos discordando indignados, afirmando que estão abertos sim para as críticas, quando sabemos que na verdade nunca foi, e nunca será assim.

Além de o que chamamos de intocável, consideramos a religião em si um fator imutável, resistente a adaptações, extremamente fechada e dogmática, sendo muitas vezes cruéis em sã consciência, mas por tradições divinamente estabelecidas preferem viver durante séculos da mesma maneira absurda. Esta é a grande diferença entre os dois lados da moeda, pois o ateísmo é empírico, toma como base a ciência para obter seu conhecimento, nada é imutável ou intocável como na religião.

Voltando ao caso introdutório, “o que move o mundo não são as respostas, e sim as perguntas”, tem um sentido bem claro, refletindo que não podemos viver nossas vidas com respostas que existem desde sempre, sem sequer um pingo de refutação para afirmar sua veracidade. Precisamos de perguntas e dúvidas sobre o que para nós aparenta ser correto e absoluto, é isso que sempre nos fez caminhar durante todos esses séculos, que nos fez evoluir no mundo, diferente das Igrejas e suas tradições que estancaram em épocas remotas, atualizando apenas as formas de controle de seus fiéis em seus supostos fins benévolos.

Agora pense consigo mesmo, como podemos acreditar que as religiões podem nos oferecer alguma resposta, se nem mesmo nos dá o privilégio de fazer as perguntas.



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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma ferramenta chamada destino




O que devo fazer? A – Sair com os amigos para assistir um jogo de futebol; B – Ficar em casa assistindo filme com minha esposa. Eis a questão! Observe o fato e as alternativas A e B deste jovem rapaz, onde a escolha de A obterá o resultado X, e a escolha de B terá como resultado Y, ou será que A levará a Y tanto quanto B o levará a X?

Escolhas! Nós as fazemos a cada minuto de nossas vidas, desde quando levantamos e decidimos comer biscoitos ao invés de torradas, usar roupas escuras ao invés de claras, dizer mentiras ao invés de verdades, tudo isso em frações de segundos que mal podemos nos dar conta. Sem nos prender a exemplos tão corriqueiros, logo lhes digo que as escolhas determinam seu futuro, o resultado é que faz a diferença, então assuma, a responsabilidade e decisão é toda sua. E o que seria aquela coisa tão pertinente em nossas vidas chamadas “destino”?

“Deus escreve certo por linhas tortas”, mas quem lhe disse que aceitei ser personagem de sua história? Somos autor e personagem de nossas próprias vidas, com coadjuvantes ao nosso redor que implicam em nossas decisões, logo, em nossos rumos a serem tomados, não existe destino, nada que já foi escrito e antecipado por algo ou alguém, no caso dos religiosos, já sabemos o idealizador de tais façanhas. Se você não conseguiu aquele emprego que tanto almejava, não foi o destino que ditou isso, provavelmente você não estava apto o bastante, o patrão não conseguiu observar suas qualidades, a empresa não tinha condições de contratar mais funcionários, e por aí vão infinitas possibilidades a serem relatadas.

Mas que audácia, posso estar quebrando todo o encanto das coisas. Que crueldade seria em dizer que um belo casal apaixonado não vive feliz hoje por conta do destino, quando na verdade suas vidas se encontraram por meras variáveis. Não estamos acabando com a magia do amor, e sim com falsos consolos e falsas prerrogativas de como tudo acontece. O casal se conheceu porque no sábado à noite o rapaz resolveu ir ao shopping e não na boate; porque gosta de ouvir Beatles e não Iron Maiden; porque odeia pizza, mas adora refrigerante; se sente estranho em lugares barulhentos, mas confortável em lugares calmos; e que coincidência, eles se conheceram em uma loja de discos no shopping quando por acidente o rapaz derramou refrigerante na blusa da moça que correu envergonhada para um lugar escondido e calmo, que, diga-se de passagem, um local perfeito para se desculpar e conversar com a garota. Parece tão extraordinário como as coisas se encaixam que somos tentados a recorrer ao destino, mas não foi isso, tanto que se o rapaz tivesse feito escolhas diferentes (que provavelmente podia ter feito por motivos mínimos), tudo seria contado de outra forma, teria encontrado talvez uma outra paixão em sua vida.

O ceticismo é visto como algo assombroso e repugnante, mas neste caso nos liberta de algo tolo em nossas vidas, nos faz entender como estamos entregues ao acaso, mas não lidamos com isso como algo ruim, e sim como um fato que gera expectativas, curiosidades, anseios, pois tudo nos pode acontecer, sem necessidade de medo pelo o que está por vir. É muito infantil acreditar que tudo está escrito em um caderninho com hora e local marcado para acontecer, que tudo que pensamos, decidimos, já está previsto, e até mesmo quando depois de decidido mudamos novamente de ideia, acreditar que isso também já foi previsto. O mais curioso é imaginar quem supostamente escreveria tudo isso, talvez forças sobrenaturais preocupados com as vontades e decisões dos bilhões de pessoas existentes no mundo.

Tome cuidado com os vigaristas de terno e um sorriso estampado no rosto, pois eles lhe contarão sobre como seus sofrimentos e aflições são resultados do destino, que você não poderá fazer nada a respeito disso, já que foi arbitrado por algo maior que você. Agora pense no que acha melhor, acomodar-se aceitando tudo isso ou ser dono de sua própria vida.


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

1º Encontro de Ateus no Amapá



Vamos mobilizar todos no Estado do Amapá para este Encontro que está sendo promovido em todo o Brasil, marcado para 12 de fevereiro, no Dia Mundial do Orgulho Ateu!

Participe você também, ateu, agnóstico, cristão, enfim, todos os interessados.

Mais informações click nos links das paginas do Facebook:

Encontro a nível nacional

Organizadora Nacional

E-mail: encontroateu@gmail.com

Encontro no Amapá

Organizador no Amapá

Abraços!

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

1º Encontro Nacional de Ateus



Disponilizaremos mais informações quando possível. Obrigado!


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sábado, 1 de outubro de 2011

Falando de música! Bad Religion



Bad Religion é uma banda norte-americana (mais precisamente da California) de punk rock formada em 1979 por Jay Bentley, Greg Graffin, Brett Gurewitz e Jay Ziskrout. São conhecidos por suas letras com temas que abordam política, críticas sobre a religião, filosofia, aspectos sociais, e por sua habilidade em expressar sua ideologia através do uso de metáforas. Sua formação já passou por diversas mudanças através do tempo, sendo que o vocalista Greg Graffin foi o único a estar em todos as formações.



Dr. Gregory Walter Graffin III (6 de novembro de 1964 em Racine, Wisconsin), mais conhecido como Greg Graffin, é vocalista do Bad Religion, e também já lançou dois álbuns solo: American Lesion (1997) e Cold as the Clay (2006). Graffin é formado em Antropologia e Geologia na Universidade da Califórnia. Recebeu pós-doutorado em Paleontologia Evolutiva pela Cornell University. Greg Graffin reside atualmente em Los Angeles, Califórnia, e leciona Ciência da Vida na UCLA.

Para quem busca música de qualidade, fúria e rebeldia do punk rock, munidos de críticas avassaladoras prontas para derrubar crenças divinas que manipulam de forma intrigante o homem e toda a sociedade, não deixe de conhecer o Bad Religion.

Saiba mais:
Wikipédia
Site Oficial do Brasil

Divirta-se!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Um pouco de leitura nunca é o bastante


Para os leitores de plantão, aqui vai um site digno da atenção de todos nós ateus, que disponibiliza gratuitamente downloads de artigos em PDF.

Acesse o site Ateus.Net clicando AQUI

Boa leitura!

sábado, 18 de junho de 2011

Ta orando pra quem mesmo?



Texto retirado do blog de um amigo! Conheça mais no blog "Eu Estou Ilhado" de Diego Belo.
LINK: http://euestouilhado.blogspot.com/



Pra quê tenho que agradecer todos os dias antes de dormir por algo que eu consegui?

Pra quê tenho que solicitar a um nada, algo que eu posso conseguir se eu me esforçar?

Vejo as pessoas ao meu redor extremamente preocupadas em agradecer a alguma divindade por coisas que elas mesmas conseguiram com sacrifício próprio. Vejo pessoas capazes de ir atrás de seus objetivos, mas escolhem parar, se ajoelhar e pedir... Pedir... Pedir... Agradecer... Agradecer... Agradecer. Porquê ainda acreditamos num velho de barba branca que fica lá em cima anotando tudo no livro da vida? Porque ainda dependemos de uma crença sem nexo em algo intangível?

Acreditamos que somos pó, acreditamos que fomos criados por um Deus que estava entediado e depressivo sem ninguém para adorá-lo e queria brincar com seus poderes mágicos, e com um pouco de massa de modelar cria o homem, acreditamos nessa historinha mau contada, sem pé nem cabeça, uma historinha mais antiga que a posição de cagar, acreditamos que haviam leis divinas e que devem ser seguidas, temos que temer o cara lá de cima, senão ele te manda pro inferno, acreditamos no “livre” arbítrio, ele diz que você deve fazer o que quiser da sua vida, mas no fim de tudo, vai te cobrar por isso. Se você se ajoelhar e adorar, como um servo, vai pro paraíso, e adoramos o Deus de amor, sem pestanejar, cantamos pras paredes, oramos para o nada. Essa adoração se transforma em emoção, que te deixa convicto de que aquilo é a mais pura verdade.

Caímos na armadilha da fé, uma fé no nada, na nossa mais pura imaginação, numa fé cega espalhada há séculos, tão bem enraizada que parece verdade, mas é claro, com a ajuda da emoção fica mais fácil. É notável que a fé quando mal utilizada descorre toda em um oceano de ignorância. Temos profunda gratidão a divindades pelo que conseguimos pelo nosso próprio esforço e mérito, a divindade não trabalha, não passa fome, não estuda, não faz nada! Mas ainda sim, somos gratos! Devemos ser gratos a nós mesmos, o mérito é nosso se algo de bom nos acontece, se você está onde está hoje, sendo o status bom ou ruim é culpa sua você não deve nada a ninguém.

Corra atrás dos seus objetivos sem precisar pedir pra alguém! Nada vem com milagre, se você quer você consegue! Você tem poder meu amigo, e muito, nem imagina o quanto. Conheça a ti mesmo, seus limites e virtudes, faça sua parte pra que tudo dê certo, não espere que divindades venham lhe trazer uma maleta de felicidade, vá por si só até a sua felicidade, não acredite em destino, vá e mude a trajetória das coisas, arrume, bagunce, mexa, transforme, pense, faça, erre, acerte, caia,mas sempre se levante, trace o caminho mais curto, ou mais longo, mais sinuoso, a escolha é sua as possibilidades são imensas,cabe a você decidir se será fácil ou difícil, se irá usar formas lícitas ou não tão lícitas assim de abreviar o caminho , mas saiba que tudo tem uma conseqüência, uma causa e efeito, para cada atitude, para cada trilha a ser seguida.

No fim das contas quem escolhe MESMO sempre é você, mesmo acreditando que há um “Deus” lá em cima que puxa as cordinhas. Ou seja, de que adianta ele te comandar se você nunca faz o que ele quer?

Para refletir:

“É incrível nossa capacidade de ainda acreditar em histórias tão antigas e mal contadas, ainda gostamos de ouvir dizer que no final da fábula tudo ficará bem e escolhemos não fazer nada para encurtar o caminho, e aceitamos ouvir a nossa própria história contada por outros narradores” –Diego

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um Deus na Política






“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, (...) promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.” (Constituição Federal de 1988)

Este é um trecho do preâmbulo da nossa Constituição Federal de 1988, que abre as portas para as diretrizes de nossa sociedade democrática, a base de toda nossa legislação vigente no país. É algo de que todo e qualquer cidadão brasileiro se orgulha, respeita e abraça fielmente, independente de raça, cor, posição político-filosófico, e credo. Logo percebam a forma que é invocado o nome de Deus como agente protetor, pressupondo que todos os homens necessitam e aceitam tal proteção. Mas dispensamos tal favor!

Na política a religião na figura de Deus é utilizada como objeto de apoio, de carisma, de apadrinhamento e aceitação, ou seja, como é notável o apego da grande maioria dos eleitores a alguma religião, os políticos se utilizam deste artifício para aproximar-se do povo, de tentar se igualar a eles por esta relação de fé.

Quer comprovar isto? Assista algum programa político no horário eleitoral e vamos nos deparar com frases como: “Deus está conosco nesta eleição”, “tenha fé em Deus e de que juntos vamos melhorar a sociedade”, ou o polêmico comentário que circula na internet supostamente dita em uma entrevista pela candidata Dilma, onde diz que “nem mesmo Deus me tira esta vitória”, aliás, teria mesmo ele poder para realizar tal façanha?

Acreditamos que tais atitudes são apelativas e imprudentes, e ainda supõe que declarar-se em frente ao povo com o apoio de Deus fosse motivo de algum respaldo moral, quando o que importa obviamente é a idoneidade política do candidato, seus programas e projetos sociais, e demais propostas.

Então caro eleitor, no próximo dia 31 vote consciente e use simplesmente a razão, pois quem governará por longos 4 anos não será algum Deus munido de sabedoria, e sim um homem (ou mulher) de carne e osso como você e eu.

domingo, 26 de setembro de 2010

DOWNLOAD - "Deus e o Estado" de Mikhail Bakunin




Este livro é um clássico do russo Mikhail Bakunin. Nele, o autor discute a autoridade a partir da idéia de Deus e do Estado. Como um grande – e talvez o maior – defensor da liberdade do homem, entendendo-a como a liberdade coletiva, aquela que possibilita a todos o completo desenvolvimento de suas faculdades morais e materiais, Bakunin despeja todo o seu ódio contra a religião, a idéia de Deus, a fé e o Estado, todos estes sendo sinônimos de dominação e escravidão.



Mikhail Aleksandrovitch Bakunin nasceu em Priamujino, no seio de uma família aristocrática. Estudou na Academia Militar de São Petersburgo. Foi oficial da Guarda Imperial, mas renunciou ao cargo e viajou pela Europa durante vários anos, até participar das Revoluções de 1848 e 1849, que eclodiram em Paris e na Alemanha. Foi preso na Áustria e condenado à morte, mas, antes da execução, foi entregue aos russos, que o mantiveram preso durante vários anos.

Mandado para a Sibéria em 1855, fugiu algum tempo depois em um barco norte-americano com destino ao Japão e chegou à Inglaterra em 1861. Dessa data até a sua morte, Bakunin dedicou-se a difundir o pensamento anarquista por toda a Europa. Passou seus últimos anos na Suíça, vivendo na miséria, planejando conspirações que nunca chegaram a se concretizar e mantendo correspondência com pequenos grupos anarquistas.

Baixe o livro completo clicando AQUI!


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domingo, 15 de agosto de 2010

A Banalização da Fé Religiosa




Um dia você já parou para pensar em quantos ditos religiosos conhece? Acredito que sejam muitos, pois no Brasil o número de ateus é apenas de 1,4% em relação a toda população do país. Mas será que todas essas pessoas têm real consciência se são crentes ou não em Deus? Acreditamos que não!

O título nos remete a uma suposta banalização da fé religiosa, já partindo do pressuposto que a religião atravessa os séculos erguendo-se em meros costumes, onde seus seguidores quase nunca indagam questionamentos sobre o porquê estou me inclinando à determinada crença. Quando falamos em costumes estamos nos referindo também a um ponto crucial dentro da religião que Richard Dawkins aborda em seu livro “Deus, um delírio”, que é o fato de pais religiosos se referirem a seus filhos como: “criança católica”, “criança muçulmana”, “criança espírita”, etc. Isso é no mínimo aterrorizante para os indivíduos com um pingo de senso crítico, pois agindo assim esses pais estariam como que “catalogando” seus filhos com sua própria religião, impondo a eles algo que acredita ser a verdade absoluta, sem ao menos lhe dar o direito de julgar e questionar, até mesmo porque uma criança até certa idade ainda nem tem capacidade intelectual de fazer tal escolha. Agora imagine que também seria o mesmo chamar de “criança comunista”, “criança nazista”, isso seria como impor uma ideologia a força.

Adentrando um pouco mais em nosso foco, acreditamos que a crença religiosa vem se tornando algo muito banal em certas ocasiões, pois muitos cristãos apenas têm um contato corriqueiro com sua devida religião, não seguindo a risca os dogmas e tais costumes que lhe é determinado, mas mesmo assim se obstem do total direito de se autodenominar católico, protestante, etc. Em função deste questionamento retomamos o ponto já abordado, em alguns desses casos determinadas pessoas apenas assumem a religião dos pais, não tendo o direito de escolha da ideologia a se seguir, portanto, por simples costume de grupos sociais como a família ou até mesmo a sociedade em geral o indivíduo toma pra si a crença religiosa tendo como o caminho correto a se seguir e acreditar.

Relacionando tal apego à crença de forma banal, Antony Flew em God, Freedom and Immortality afirma que “A assunção do ateísmo pode ser justificada pela exigência de uma base, da qual não se pode escapar. Precisamos de uma boa base para acreditarmos que existe um Deus. Se não tivermos essa base, não existe razão suficiente para acreditarmos em Deus, e a única posição razoável que podemos assumir é a de agnósticos ou ateístas negativos (...)”.

Mas por que a religião tornou-se algo comum dentro da sociedade? Essa é uma pergunta que merece um grande comprometimento para ser respondida, já que os fatores podem ser inúmeros e que se alongam durante séculos, mas podemos comentar sobre um ponto em especial. Vamos destacar algo que dentro da Psicanálise é chamado de Holotomia, onde afirma que na tentativa de solução de seus conflitos o indivíduo tenta obter uma dose de auto-engano, a fim de acalmar as tendências opostas. Exemplificando isso dentro da religião, podemos imaginar uma pessoa totalmente angustiada por alguma doença que possui, e por um momento de desespero psicológico acredita poder ser curado se orientado pelo pastor de sua Igreja, que com simples palavras de motivação, mas que munidas de fundamentos religiosos, faz o indivíduo com a enfermidade acreditar em uma possível melhoria.

Agora imagine você se este mesmo indivíduo além de fazer visitas diárias à Igreja buscando uma suposta cura, também ter feito em paralelo a isso um tratamento com algum médico e alguns remédios. Para quem você acha que esta pessoa dará o crédito pela cura? Se for uma pessoa religiosa com certeza será para Deus. Muitos amigos felizes com a recuperação irão cumprimentá-lo e dizer: “graças a Deus você está bem agora”. E a credibilidade da Ciência em oferecer ótimos profissionais e vários medicamentos para tratar a doença também não merece um devido respeito?

A religião que afirma também oferecer a seus seguidores inúmeros padrões de moralidade, bom senso, auto-estima, faz contraste com uma dose excêntrica de discriminação e indiferença para com àqueles que não compartilham de sua ideologia, como por exemplo, o posicionamento feroz da Igreja Católica contra a homossexualidade, o uso de preservativos, pesquisas com células-tronco, sendo que nenhum desses posicionamentos afetam de alguma forma a dignidade do ser humano. Segundo Daniel Sottomaior (membro fundador da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – ATEA), em entrevista a um programa de televisão, afirma que a discriminação também é observada contra os ateus, onde pesquisas mostram que religiosos sentem muito mais repúdio por ateus do que até mesmo contra travestis, prostitutas, e drogados.

Esse é o respeito e senso de liberdade e igualdade que a religião coloca em nossos corações? Sim? Então é mais conveniente e aceitável viver sem ela, prezando pela saúde e racionalidade de nossa humanidade.



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