domingo, 15 de agosto de 2010

A Banalização da Fé Religiosa




Um dia você já parou para pensar em quantos ditos religiosos conhece? Acredito que sejam muitos, pois no Brasil o número de ateus é apenas de 1,4% em relação a toda população do país. Mas será que todas essas pessoas têm real consciência se são crentes ou não em Deus? Acreditamos que não!

O título nos remete a uma suposta banalização da fé religiosa, já partindo do pressuposto que a religião atravessa os séculos erguendo-se em meros costumes, onde seus seguidores quase nunca indagam questionamentos sobre o porquê estou me inclinando à determinada crença. Quando falamos em costumes estamos nos referindo também a um ponto crucial dentro da religião que Richard Dawkins aborda em seu livro “Deus, um delírio”, que é o fato de pais religiosos se referirem a seus filhos como: “criança católica”, “criança muçulmana”, “criança espírita”, etc. Isso é no mínimo aterrorizante para os indivíduos com um pingo de senso crítico, pois agindo assim esses pais estariam como que “catalogando” seus filhos com sua própria religião, impondo a eles algo que acredita ser a verdade absoluta, sem ao menos lhe dar o direito de julgar e questionar, até mesmo porque uma criança até certa idade ainda nem tem capacidade intelectual de fazer tal escolha. Agora imagine que também seria o mesmo chamar de “criança comunista”, “criança nazista”, isso seria como impor uma ideologia a força.

Adentrando um pouco mais em nosso foco, acreditamos que a crença religiosa vem se tornando algo muito banal em certas ocasiões, pois muitos cristãos apenas têm um contato corriqueiro com sua devida religião, não seguindo a risca os dogmas e tais costumes que lhe é determinado, mas mesmo assim se obstem do total direito de se autodenominar católico, protestante, etc. Em função deste questionamento retomamos o ponto já abordado, em alguns desses casos determinadas pessoas apenas assumem a religião dos pais, não tendo o direito de escolha da ideologia a se seguir, portanto, por simples costume de grupos sociais como a família ou até mesmo a sociedade em geral o indivíduo toma pra si a crença religiosa tendo como o caminho correto a se seguir e acreditar.

Relacionando tal apego à crença de forma banal, Antony Flew em God, Freedom and Immortality afirma que “A assunção do ateísmo pode ser justificada pela exigência de uma base, da qual não se pode escapar. Precisamos de uma boa base para acreditarmos que existe um Deus. Se não tivermos essa base, não existe razão suficiente para acreditarmos em Deus, e a única posição razoável que podemos assumir é a de agnósticos ou ateístas negativos (...)”.

Mas por que a religião tornou-se algo comum dentro da sociedade? Essa é uma pergunta que merece um grande comprometimento para ser respondida, já que os fatores podem ser inúmeros e que se alongam durante séculos, mas podemos comentar sobre um ponto em especial. Vamos destacar algo que dentro da Psicanálise é chamado de Holotomia, onde afirma que na tentativa de solução de seus conflitos o indivíduo tenta obter uma dose de auto-engano, a fim de acalmar as tendências opostas. Exemplificando isso dentro da religião, podemos imaginar uma pessoa totalmente angustiada por alguma doença que possui, e por um momento de desespero psicológico acredita poder ser curado se orientado pelo pastor de sua Igreja, que com simples palavras de motivação, mas que munidas de fundamentos religiosos, faz o indivíduo com a enfermidade acreditar em uma possível melhoria.

Agora imagine você se este mesmo indivíduo além de fazer visitas diárias à Igreja buscando uma suposta cura, também ter feito em paralelo a isso um tratamento com algum médico e alguns remédios. Para quem você acha que esta pessoa dará o crédito pela cura? Se for uma pessoa religiosa com certeza será para Deus. Muitos amigos felizes com a recuperação irão cumprimentá-lo e dizer: “graças a Deus você está bem agora”. E a credibilidade da Ciência em oferecer ótimos profissionais e vários medicamentos para tratar a doença também não merece um devido respeito?

A religião que afirma também oferecer a seus seguidores inúmeros padrões de moralidade, bom senso, auto-estima, faz contraste com uma dose excêntrica de discriminação e indiferença para com àqueles que não compartilham de sua ideologia, como por exemplo, o posicionamento feroz da Igreja Católica contra a homossexualidade, o uso de preservativos, pesquisas com células-tronco, sendo que nenhum desses posicionamentos afetam de alguma forma a dignidade do ser humano. Segundo Daniel Sottomaior (membro fundador da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos – ATEA), em entrevista a um programa de televisão, afirma que a discriminação também é observada contra os ateus, onde pesquisas mostram que religiosos sentem muito mais repúdio por ateus do que até mesmo contra travestis, prostitutas, e drogados.

Esse é o respeito e senso de liberdade e igualdade que a religião coloca em nossos corações? Sim? Então é mais conveniente e aceitável viver sem ela, prezando pela saúde e racionalidade de nossa humanidade.



...

Um comentário:

  1. 4.1 Grandes mitos sobre o conhecimento cientifico:

    a)Mito da cientificidade: o conhecimento científico é o único que é verdadeiro;

    b) Mito do progresso: os desenvolvimentos da ciência e da técnica são os únicos que poderão conduzir a humanidade a um estado superior de perfeição; O cientista era encarado como alguém acima dos interesses particulares unicamente devotados ao saber pelo saber.

    c) Mito da tecnocracia: A resolução dos problemas da humanidade passa por confiar o poder as especialistas nas diversas áreas do conhecimento técnico e científico.

    d) Época Contemporânea. No século XX assiste-se a uma progressiva crise das concepções deterministas herdadas do período anterior. O conhecimento cientifico deixa de ser visto como absoluto. Muitos dos mitos desenvolvidos em torno da ciência são abandonados:

    A atividade cientifica deixa de ser encarada como neutral, isto é, acima do poder ou dos interesses econômicos. Pelo contrário aparece cada vez mais comprometida com a construção de novas armas de guerra, ou na criação de produtos destinados a serem comercializados por grandes grupos econômicos à escala mundial.

    A promessa de uma paz perpétua que surgiria dos avanços da racionalidade científica, não se cumpriu. Os enormes progressos da ciência no século XX, foram acompanhados do desenvolvimento de tecnologias de guerra com um poder destrutivo sem precedentes históricos. No século XVIII morreram nas 68 guerras, 4,4 milhões de pessoas; no século XIX, em 205 guerras, morreram 8,3 milhões de pessoas; no século X, em 237 guerras, morreram 98,8 milhões de pessoas. Entre o século XVIII e o século XX, a população mundial aumentou 3,6 vezes e o número de mortos na guerra 22,4 vezes (Guiddens,1990).

    A promessa de um domínio da natureza, pela ciência, de forma a colocá-la ao serviço do homem redundou numa exploração excessiva dos recursos naturais, e em desequilíbrios ecológicos que atingiram tais proporções que estão a coloca em causa a própria continuidade da humanidade.

    A promessa de um progresso contínua da humanidade que conduziria à humanidade a um estado superior de bem estar para todos, redundou em disparidades mundiais gritantes. Enquanto num grupo reduzido de países se acumulam riquezas e desperdiçam recursos, na maioria dos restantes populações inteiras são dizimadas pela fome e epidemias, e são espoliados os seus recursos naturais.

    e) Novas Concepções sobre a Ciência. Entre os teóricos da nova concepção da ciência destacam-se Einstein (1879-1955), Heisenberg (1901-1976) ,Pierre Duhen (1861-1916), Gaston Bachelard (1884-1962), Karl Popper (1902-1994), Lakatos, Thomas Kuhn (1922) e Feyerabend (1924-1994).

    Conclusão

    Pode-se concluir que o conhecimento científico é o produto de uma comunidade e não de um individuo e que descobertas feitas por um indivíduo devem ser testadas por uma instituição antes de serem aceitas como conhecimento. Portanto, a ciência como forma de conhecimento pode suprir o conhecimento dito confiável, desde que testadas e analisadas.

    Resumo: Se ficar o bicho pega e se correr o bicho come!

    ResponderExcluir